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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Aécio insiste em decisão rápida ou será candidato ao Senado

Da Agência Reuters, em O Globo:
Mesmo após conversa no fim de semana com o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, manteve sua exigência de que o partido defina até dezembro o candidato tucano à sucessão presidencial. Aécio disse que, fora deste prazo, vai concorrer ao Senado.
"Até o final do mês de dezembro contem comigo", disse Aécio a jornalistas nesta terça-feira referindo-se à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010.
Aécio acredita que uma decisão em março, como deseja o governador de São Paulo, José Serra, outro interessado ao posto de candidato a presidente pela legenda, compromete a articulação de alianças.
"Se o partido optar, e eu respeitarei essa decisão, por alongar um pouco mais esse prazo eu vou voltar-me integralmente para Minas Gerais... A forma de eu poder e até tentar dar ou ajudar a dar aqui, ao lado dos meus companheiros, uma vitória a um outro candidato do PSDB seria mergulhando aqui na nossa campanha, sendo candidato ao Senado", esclareceu.
Leia mais em Aécio insiste em decisão rápida e diz que pode se candidatar ao Senado

É falsa a notícia sobre a agressão de Aécio à namorada em festa

É falsa e tem objetivos políticos eleitorais a notícia de que o governador de Minas, Aécio Neves, pré-candidato à presidente pelo PSDB, teria agredido a namorada, a estilista Letícia Weber, em uma festa no Hotel Fasano, no Rio de Janeiro.

É o que revela a apuração dos fatos feita por dois dos jornalistas políticos mais bem informados do país: Ricardo Noblat, do Blog do Noblat, e o Lauro Jardim, editor da coluna Radar, da revista Veja e do Portal Abril.com.

Eles apuraram os fatos, conversaram com pessoas que participaram da festa e apontam as motivações políticas entorno da divulgação da notícia.

Ricardo Noblat – 02/11/2010, em seu Twitter : www.twitter.com/blogdonoblat

Passei o dia atrás da história da suposta agressão de Aécio Neves à namorada. Ouvi 6 pessoas que estavam na festa do hotel Fasano.
Resposta delas: não viram nada. Há pouco, localizei Aécio e a namorada, Letícia. Os dois passam o fim-de-semana em Florianópolis.
"Isso é uma nojeira. Não aconteceu nada. Meu azar foi me apaixonar por um político," me disse Letícia. Aécio não quis comentar.
Letícia disse mais: "isso me parece exploração política." Berzoini, presidente do PT, deu a notícia no seu twitter.

Lauro Jardim - Blog Radar on-line - 03/11/2009 - 6h02
http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/eleicoes-2010/comecou-a-baixaria/

Começou a baixaria - Eleições 2010
A insidiosa campanha de boatos na internet sobre Aécio Neves, que circula cm força na web desde o fim de semana, visa a atingir exatamente a característica mais festejada do governador mineiro: a capacidade de conciliação e de entendimento entre contrários.
A baixaria tenta também alcançar outra de suas marcas atestadas nas pesquisas de opinião - a boa imagem junto ao eleitorado feminino.
Enfim, está inaugurada no final de 2009 a era de baixarias na campanha 2010.

A patrulha da lama se assanha

O tabuleiro eleitoral começa a se compor. As tropas de lado a lado se aprontam.
E a patrulha da lama se assanha. Campanha eleitoral é com ela mesma.Ataques pessoais constituem arma das mais delicadas e perigosas de uma disputa eleitoral. São faca de dois gumes.
Não são poucos os casos de ataques pessoais que provocaram efeito bumerangue, ou seja, voltaram-se contra o atacante, prejudicando-o mais do que à vítima.
A vitimização do adversário é consequência bastante comum, e muito temida.
Por isso, estrategistas de campanha hesitam em usar dossiês, denúncias e outros artefatos do arsenal que pode ser mobilizado em campanhas eleitorais.
No ataque pessoal, a dosagem é questão crucial. Uma denúncia bem feita, uma suspeita bem lançada – em geral pela imprensa – podem ter resultados devastadores.
São inúmeros os exemplos de candidaturas abatidas em pleno vôo -- ou ainda taxiando na pista. Na eleição presidencial de 2002, foi devastadora a visão de uma montanha de dinheiro encontrada no escritório do marido da pré-candidata Roseana Sarney.
Até hoje mal explicada, aquela dinheirama foi fatal para as pretensões presidenciais de Roseana.
E até hoje, o senador José Sarney está convencido de que José Serra estava por trás da denúncia contra sua filha.
(Aliás, é curioso constatar que no Brasil metade das malfeitorias políticas é atribuída a José Serra, enquando a outra é atribuída a José Dirceu". Quando não, "coisa dos dois" em conluio.)
Assim como também foi devastadora a revelação do “escândalo Miriam Cordeiro”, quando, às vésperas da eleição de 1989, uma ex-namorada de Lula veio à TV afirmar que ele tinha tentado convencê-la a fazer aborto.
A aparição da ex-namorada foi armada pelo adversário, pela tropa de choque a serviço de Fernando Collor. (O senador Renan Calheiros, hoje aliado íntimo do presidente Lula, deve se lembrar bem desse episódio.)
Nas eleições de 2006, o PT colou no candidato do PSDB a pecha de privatista, entreguista, alguém que “vendeu o patrimônio do povo brasileiro na bacia das almas”.
Resultado, o candidato Geraldo Alckmin passou o resto da campanha vestido com um constrangedor colete com selos de todas as estatais, pisoteou o legado de Fernando Henrique... E os tucanos nunca mais conseguiram explicar por que se decidiram pela privatização.
Ataque pessoal não é coisa para amador. Ao contrário, é trabalho para profissional altamente competente.
Em geral, o ataque pessoal segue uma regra de ouro: nunca, nunca mesmo, parte do candidato adversário. Os ataques são sempre terceirizados.
É para isto que existe, em todas as campanhas, a patrulha da lama. É ela a encarregada de espalhar denúncias, calúnias, insultos, verdades, mentiras.
Com a disseminação da internet, calúnias e insultos percorrem a rede em velocidade estratosférica. Blogs, twitters, redes de relacionamento, tudo contribui para espalhar tanto a boa notícia quanto a lama.
Alguns partidos já possuem tropas treinadas. Tarefeiros remunerados ou voluntários que "estacionam" em certos blogs e sites -- ou são seus titulares --, espalhando veneno e promovendo verdadeiros linchamentos virtuais.
Preço pequeno a pagar pela liberdade de expressão. E vale a pena pagar.
No Brasil, os marqueteiros espalharam a ideia de que "quem bate perde". Nem sempre é verdade. Os danos podem ser fatais.
Por isso mesmo, a patrulha da lama se faz presente e todas as eleições. Cada vez mais disseminada e sofisticada.
Sob este aspecto, podemos dizer que a campanha eleitoral de 2010 já começou.
A notícia de que o governador Aécio Neves teria esbofeteado a namorada numa festa no Rio de Janeiro espalhou-se pela internet em altíssima velocidade.
A namorada negou tudo, pessoas presentes à festa não viram nada, além de um escorregão da moça na pista de dança, o governador chegou a falar no assunto em indignada entrevista coletiva (era a respeito de outro assunto, mas a pergunta foi inevitável. E ele não se furtou a responder.)
Mas a notícia continua a se multiplicar pela internet.
Junto com a notícia veio a especulação: "já é coisa de Serra, para anular as chances de Aécio?"
"É coisa de José Dirceu, temeroso de que o candidato seja Aécio?"
"É coisa dos dois, que continuam se dando muito bem?"
Não se sabe.
A única coisa que se sabe é que a patrulha de lama da campanha eleitoral de 2010 já entrou em campo.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Governador Aécio Neves em entrevista durante evento do Minas Olimpica


Despedida (do governo)?
Acho que daqui para frente é natural que esse clima nostálgico, de alguma forma, esteja presente nesses eventos, e esse para mim tem esse significado especial e até emocional porque estivemos muito próximos de interrompê-lo no início do governo porque o Estado não tinha recursos para bancar sozinho o programa que vinha sendo mantido pelo Governo Federal até o ano de 2003. Foi suspenso, foi interrompido bruscamente sem qualquer informação. Tentamos restabelecer essa relação com o Governo Federal, não conseguimos, mas fizemos um esforço enorme e mantivemos o programa.
Hoje ele se expandiu e é talvez a única alternativa de reinserção social e de novas práticas de cidadania para jovens carentes do interior do Estado que não tinham nem local para essas atividades esportivas, então, fico feliz de ver que durante esses quatro anos o Estado, mesmo solitariamente, conseguiu manter e ampliar ano a ano o programa.
Agora estamos prestes a restabelecer com o Governo Federal essa parceria, mas faremos dois programas, se o Governo Federal, enfim, retomar essa parceria com o Estado, que eu espero que ocorra, manteremos esse programa com o Governo Federal e manteremos esse também pela abrangência que já tem e pela importância que tomou ao longo desses últimos anos.

O senhor parece mais confiante que deixa o governo do Estado no ano que vem. Com a informação que o governador José Serra pode optar pela disputa da reeleição em São Paulo, o senhor seria mesmo o candidato?
Vou deixar isso muito claro. É uma alternativa que obviamente é possível hoje, mas a não ser que eu, enfim, encerre a minha carreira política e não dispute mais nenhuma eleição, é que eu deixaria de sair no final do ano, porque a descompatibilização é necessária para quem não disputa a reeleição. Eu, como não disputo a reeleição até por impedimento legal que felizmente existe e acho que é bom que um governante não fique tanto tempo no governo, 30 de março é o limite para quem vai disputar outra eleição. Presidência é uma possibilidade, para a qual tenho recebido estímulos de várias partes do país, mas é óbvio que não depende de mim. É uma questão que será decidida pelo partido no tempo adequado.
Quando eu digo que deixo o Governo, é obviamente se optar por disputar uma eleição. Pode ser presidencial? Pode, mas pode eventualmente não ser.

O José Serra teria dito que se a ministra Dilma crescer muito nas pesquisas, ele não será candidato. O Senhor também não seria se ela crescer muito, ou o senhor vai de qualquer jeito?
Não tenho essa preocupação e também não acredito que o governador José Serra tenha dito algo assim. Por que ele tem um potencial muito grande. Agora, eu não temo a largada em uma campanha eleitoral. O objetivo da campanha eleitoral é a chegada. Acho que se conseguirmos construir uma grande frente com um projeto novo, moderno, ousado, para o Brasil, temos todas as condições de disputar, vencer as eleições, independente de quem seja o candidato. Não me preocupa, não me aflige e não me atemoriza o eventual crescimento, até porque é natural da candidata do PT. No momento certo, o partido vai tomar a sua decisão, e obviamente se for em direção da minha candidatura, estarei pronto para enfrentá-la.

Amanhã tem a reunião do PSDB em Brasília.
Falei com o senador Sérgio Guerra agora há pouco e, segundo ele me informou, a regulamentação será feita, será noticiada pela executiva do partido nos termos que aqui foi colocado. Não quero me antecipar a isso, porque não é uma regulamentação do governador Aécio Neves, é da direção nacional do Partido. Por isso ela tem relevo, por isso ela tem importância. Vamos aguardar que o presidente Guerra se manifeste oficialmente sobre isso.

Governador como o senhor ouviu a declaração do ministro Mantega de que a redução, que a desoneração do IPI foi limitada porque alguns governadores fizeram a substituição tributária?
Olha, vi enfim, especialmente essa declaração dentro dos jornais de hoje. Acho que os estados têm sido parceiros fundamentais da União ao longo de todos esses anos. É importante se lembrar que quando se faz uma redução, uma eventual redução de IPI, você está tendo, na verdade, tendo a contribuição dos estados.
O IPI é um imposto compartilhado com os estados. Quando o governo faz, por exemplo, uma mudança de alíquota de imposto de renda, e que nós apoiamos, nós estamos também comprimindo nossas receitas porque ele também compõe a cesta a ser distribuída para estados e municípios. Portanto, acho adequado que o governo possa dar alguns estímulos a setores importantes da economia brasileira, que são empregadores e que tem uma cadeia muito adensada. Mas acho que seria muito adequado que em cada momento em que o Governo Federal optasse por uma redução de IPI, por exemplo, que tem ocorrido, no momento da declaração, o ministro ou o Governo Federal dissessem: muito obrigado aos estados e municípios que estão contribuindo com essa isenção porque isso significa uma redução da transferência de recursos para esses entes federados.
Portanto, se a iniciativa é do Governo Federal, a responsabilidade e o efeito dessa iniciativa recaem sobre os estados e sobre os municípios. Acho que o Governo Federal não tem do que reclamar dos estados brasileiros, sendo em relação ao superávit primário que foi alcançado em boa parte graças ao esforço dos estados. Seja pelas gestões estaduais, de vários partidos, que são hoje efetivas e apresentam mais resultados até que no campo federal.
Então, acho que os estados e municípios têm sido parceiros muito importantes do Governo Federal, que vem acumulando recordes de arrecadação ao longo todos dos últimos anos, o que não tem correspondência na arrecadação dos estados e municípios.

A prorrogação da redução do IPI é acertada?
Acho que sim. Mostrou um efeito importante e acho que ganhamos na outra ponta. Apenas o que eu considero é que, ao invés de críticas, mesmo que indireta aos estados e municípios, cada vez que houvesse uma redução de IPI, o meu amigo ministro Guido Mantega podia dizer: muito obrigado aos estados e municípios que estão participando desse esforço.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Entrevista do governador Aécio Neves e o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda


Entrevista do governador Aécio Neves e o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda


Sobre a expectativa de Belo Horizonte ser uma das sedes da Copa do Mundo.
Estou absolutamente confiante. Minas e sua capital serão uma das sedes. Nós temos que trabalhar e falamos um pouco sobre isso aqui, já a partir desta semana, com a formalização do anúncio, em duas frentes. Uma interna, com a criação de uma comissão responsável exclusivamente pela preparação da cidade, tanto na estrutura do Mineirão e do seu entorno, quanto nas questões de acesso, de logística. A outra vertente é essa que o prefeito já tem tratado, e estarei a seu lado tratando, que é junto ao Governo Federal, naquilo que se chama de PAC da mobilidade, nos financiamentos que nós esperamos poder ter, que inclui o metrô e outros investimentos importantes.
Então é a organização interna, processo licitatório para reforma do Mineirão, estacionamento, serviços que vão ser levados para aquela região, e isso nós vamos cuidar aqui; e outra que é essa das parcerias com o Governo Federal, mas o prefeito se adiantou, teve várias conversas com a ministra Dilma, com o Ministério das Cidades, e as coisas estão caminhando bem.
Acho que Belo Horizonte está adiantada em relação a outros estados. A nossa ideia continua sendo a de fechar o Mineirão no final deste ano, após o último jogo do Campeonato Brasileiro, e a partir daí, nós teremos dois anos com o Mineirão em obras, para que ele possa ser apresentado antes do período da Copa das Confederações, que antecede a Copa do Mundo, no final de 2012, para que em 2013 ele esteja já em condições até mesmo de sediar jogos da Copa das Confederações. Então nosso cronograma está mantido, e domingo vai ser uma grande festa da confirmação de Belo Horizonte, depois de 60 anos.

Governador, ontem o senhor falou que está buscando aliados do presidente Lula, que eventualmente podem não fechar com o PT no ano que vem. O Lacerda é uma liderança do PSB, o senhor conversou a respeito de um eventual apoio do PSB ao PSDB na eleição?
Não, nem precisa, tenho uma proximidade enorme com o prefeito Marcio Lacerda, e ele seguirá o caminho do seu partido. Não há porque precipitar esse processo. O que existe são negociações em nível nacional, com as direções nacionais de vários partidos, absolutamente naturais. Aqui o PSB participa da base de sustentação do governo, tenho certeza que continuará participando. Vamos deixar que o PSB tome a sua decisão no campo nacional, para que o prefeito também possa ter o seu caminho.

A proposta para reeleição que vai ser apresentada por um deputado do PMDB, para um terceiro mandato também para governadores, o senhor se sentiria à vontade com esse possível terceiro mandato?
Não há hipótese disso ocorrer. Acho até que dois mandatos já é muito. Oito anos é um tempo muito extenso para se governar. Sou partidário da tese de mandato de cinco anos sem reeleição. Não acredito na aprovação dessa proposta, mas se aprovada, certamente no caso de Minas Gerais, nós teremos um outro candidato a governador. Não acho que seja bom nem para o país, nem para os estados, nós termos um tempo tão grande, de tão grande extensão, um só governante. A alternância do poder, mesmo que dentro de um partido, entre pessoas, é muito importante. Não há hipótese de eu querer disputar.

E a unificação das eleições, que também está sendo discutida?
São as alquimias do Congresso. Não acho que haja nem tempo hábil, nem clima para se falar em prorrogação de mandatos que viria com proposta de coincidências. Qualquer possibilidade de coincidência, na minha avaliação, só poderia vir com a alteração da duração dos mandatos a serem eleitos. Você sabendo, por exemplo, que está votando em alguém por seis anos, porque isso é proporcional, uma coincidência lá na frente, acho que aí sim é possível de ser discutido. Você, agora, alterar um mandato que tem um tempo definido de duração é um equívoco.
Olha, estou muito descrente da aprovação de qualquer capítulo da reforma política, pelo que conversei nos últimos dias no Congresso. Até num determinado momento achei que a questão da lista com financiamento público poderia avançar, conversei hoje mesmo com alguns líderes partidários, com o líder do meu partido, nem isso acredito que exista clima hoje para avançar no Congresso.

E a janela de seis meses?
Também não acredito que exista muito clima para isso. Sempre me fazem essa pergunta tentando entender de que forma isso afeta a minha vida. Posso dizer que não sei se o Congresso aprova, mas do meu ponto de vista pessoal, ela é absolutamente inócua, não altera em nada, porque estou e ficarei no PSDB.

Em 2014, quando acontece a Copa do Mundo, onde que o senhor gostaria de estar?
No Mineirão, vendo a abertura.

Mas em que cargo?
Na arquibancada.

O senhor acha que é possível que a abertura seja aqui?
Acho que é uma disputa que nós temos que fazer com seriedade, obviamente, respeitando o direito de outros estados buscarem isso. Existem outros que postulam. Mas o projeto que nós estamos fazendo aqui em parceria com a prefeitura e a grande vantagem nossa é que existe essa parceria muito bem ajustada, da Prefeitura de Belo Horizonte com o Governo do Estado, como houve com o Pimentel na gestão passada, essa parceria vai facilitar em muito essas nossas ações. Imagina se não houvesse essa parceria, essa facilidade de tomar decisões, se a avenida Antonio Carlos estaria avançando nessa velocidade que está hoje. Nós vimos aqui cerca de 40 projetos que serão lançados proximamente pelo prefeito, muitos deles em parceria com a Cemig, ou com a Copasa, com a área de habitação do Governo, na saúde, principalmente. Então existem muitas boas coisas que a parceria pode fazer. Entre elas criar as condições para que o Mineirão se apresente à Fifa com toda a infraestrutura necessária para pleitear a abertura.
Vou dizer o que eu intimamente, isso nem conversei ainda com o prefeito Marcio Lacerda, intimamente quero buscar, aí já não é com a Fifa, mas com o presidente Ricardo Teixeira, que é mineiro, para que Belo Horizonte possa ser a sede do Brasil nos jogos da primeira fase. Para que o Brasil possa jogar no Mineirão. A cidade de Belo Horizonte é uma cidade mais tranqüila do que as outras grandes capitais, que certamente postularão esse privilégio, acho que Belo Horizonte, pela localização, pelo que nós vamos fazer do ponto de vista da estrutura do estádio, de logística, até mesmo pela certa tranqüilidade que se possa aqui garantir para preservar a Seleção. Acho que Belo Horizonte poderia pleitear tranquilamente sediar os jogos no Brasil na primeira fase. Depois, obviamente, eles têm uma dinâmica própria, vão para alguns outros lugares. Então esse fica sendo o nosso objetivo. Agora é trabalhar, não perdermos os prazos, fazermos as licitações das obras, nós estamos com a Fundação Getúlio Vargas para fazer a coordenação final desse projeto, o professor Anastasia passa a coordenar, a partir da semana, uma comissão que terá uma representação do Estado e da Prefeitura, conjunta, e vamos tocar o barco. Acho que Belo Horizonte vai se colocar em condições de pleitear uma participação muito importante na Copa.


Marcio Lacerda

Prefeito, como vai ser a festa domingo?
Foi divulgada a programação, nós teremos um telão, um canal de esporte vai transmitir diretamente de Nassau, nas Bahamas, o anúncio das sedes, às 15h30. Vamos ter uma programação festiva que começa desde 1h da tarde, com shows, que se prolongará, a partir das 16h, com show do Patu Fu. Ali vai ser a festa da comemoração da escolha de Belo Horizonte, que tenho certeza ocorrerá.

Qual é o cronograma de obras que a prefeitura está se organizando para que a cidade tenha condições de atender as pessoas que venham assistir a Copa?
O principal, no caso da Copa, é a ligação entre o centro da cidade, o estádio e os aeroportos. Isso já está muito avançado, principalmente agora essa parceria forte do Estado com a Prefeitura na conclusão da duplicação da Antônio Carlos, o Estado entrando com R$ 180 milhões, um convênio que assinamos em janeiro, logo no início da nossa administração e com quatro viadutos, então já no começo do ano que vem teremos a duplicação da Antônio Carlos concluída, e os viadutos em andamento.
Nós teremos que duplicar a Pedro I e ter um corredor de ônibus ligando a Lagoinha até a MG-010 e consequentemente até Confins, até o Mineirão, até o Aeroporto da Pampulha.
E estamos trabalhando fortemente para a gente ter o metrô Savassi-Lagoinha, que é uma das nossas reivindicações junto ao Governo Federal. Então essa ligação centro-aeroporto-estádio é fundamental para o sucesso do empreendimento Copa em Belo Horizonte num alto nível.
A ampliação do aeroporto pela Infraero, que já está fazendo o projeto, ela estima gastar R$ 250 milhões até 2013 no Aeroporto de Confins, ampliação do terminal, ampliação da pista, da área de embarque e desembarque, e temos aí o capítulo dos hotéis. Nesse momento alguns grupos internacionais estão sondando Belo Horizonte, conversando com o Governo do Estado, Prefeitura, para virem para cá.
Acho que o momento está bom, estamos otimistas, esperançosos, como disse o governador é fundamental essa parceria entre Prefeitura e Estado, que já existe há vários anos, desde administração de Pimentel, que continua forte.

Quanto vocês pensam em gastar para ter essa infraestrutura em Belo Horizonte?
Nós estamos pleiteando do Governo Federal repasses não onerosos e financiamentos. Serão alguns bilhões de reais. Não sabemos quanto ainda. Depende, porque tem o projeto mínimo, que foi esse que falei. A duplicação da Antônio Carlos, Pedro I, implantação de corredor de ônibus avançado, com estações de pré-embarque, corredor de ônibus também na Amazonas, Pedro II, Catalão, Nossa Senhora do Carmo; então são corredores de ônibus, metrô, e duplicação do acesso do centro até a MG-010.

Mas desses recursos, o Governo Federal já garantiu algum?
Isso nós apresentamos junto com o Governo do Estado, um parceiro sempre freqüente nos projetos das vias, na viabilização da ideia do metrô, nós apresentamos as planilhas ao Ministério das Cidades, que tem levado à Casa Civil. Nós temos comparecido frequentemente em Brasília. Esperamos no decorrer do mês de junho que venha então essa decisão, que não pode demorar muito, porque as obras levam um tempo.


Aécio Neves

A última conversa que tivemos com o Governo Federal é de que logo após o anúncio, eles deflagrariam esse processo de definição dessas prioridades. E o prefeito apresentou aqui hoje um trabalho muito bem feito, onde ele apresenta o objetivo final, mais amplo, e aquilo que nós consideramos o mínimo razoável para que nós possamos ter esse acesso garantido.
Então nós queremos agora, pretendemos até marcar uma ida juntos a Brasília, para tanto conversarmos com a Infraero em relação a essa questão da ampliação dos terminais do aeroporto, que teria que começar rápido, quanto a esse projeto que a prefeitura detalhou de forma muito competente, que passa, inclusive, pela questão do metrô de Belo Horizonte.

Marcio Lacerda

Prefeito, o deputado Ciro Gomes já falou que não se candidata a presidente se o Aécio for candidato. O senhor pessoalmente está torcendo também para o Aécio vencer a batalha do PSDB?
Como disse o ministro Ciro Gomes, naquela oportunidade, foi lá na prefeitura, inclusive, que o governador Aécio representa uma possível contribuição de Minas dentro de uma linhagem política, de uma tradição política de busca de consenso, de unidade, de projeto nacional agregador, se o governador pudesse ser candidato, conseguir ganhar essa disputa no PSDB, que nós esperamos, acredito que seria um grande trunfo para o país, certamente.

Prefeito, sobre essa reunião que está tendo agora na prefeitura sobre o APA Sul, essa porta de acesso ao Belvedere, Nova Lima, como está esse projeto?
Na realidade, o projeto executivo não está 100% pronto ainda. Você sabe que é uma empresa empreendedora imobiliária de Nova Lima, que se encarregou desse projeto como medida compensatória. Está faltando algumas coisas. É um projeto para R$ 30 milhões, R$ 40 milhões, nós incluímos uma parte desse valor na proposta que levamos para Brasília, e conversando com os empreendedores, cerca de 20 empreendedores que estão com projetos imobiliários ali em Nova Lima, se cada um deles entrasse com R$ 1 milhão, nos ajudaria bastante a fazer esse projeto, e iria valorizar muito os empreendimentos deles.

Aécio Neves

A Assembleia aprovou o empréstimo do BID para o Proacesso?
É, foi uma aprovação extremamente importante, quero de público agradecer aos aliados do governo, mas também a compreensão da oposição, porque é algo que se coloca num patamar acima de questões partidárias ou disputas políticas.
Esse recurso, sobretudo num momento como esse de queda de arrecadação, é muito importante, o BID tem dado prioridade às questões de Minas, mas há uma demanda muito grande junto ao BID para novos financiamentos. Na conversa que tive com o ministro Guido Mantega, na semana passada, ele próprio nos alertava para essa demanda crescente, então nós não poderíamos perder tempo.
Vou pessoalmente a Washington (EUA) definir já com o presidente do BID, Luis Alberto Moreno, no próximo dia 9, se não me engano, o cronograma possível de liberação desses recursos. Nós estamos falando de cerca de US$ 260 milhões, então vamos falar em alguma coisa em torno de R$ 500 milhões a R$ 520 milhões, que vão permitir novos investimentos na qualificação da nossa malha viária, investimentos importantes também na área da saúde. Um conjunto de ações que esses recursos possibilitarão serem feitas e até mesmo suprindo a ausência de recursos orçamentários em razão da queda de arrecadação. Portanto, é muito importante e estratégico esse recurso e para que nós não percamos tempo, quero ir pessoalmente assinar e acertar com o presidente do BID essa liberação.
E aproveito no dia seguinte, fui convidado para também estar na Bolsa de Valores de Nova York, onde farei uma palestra para duas centenas de empresários interessados em investir em Minas Gerais, muitos ligados ao setor energético. Acho que é uma nova oportunidade de nesse momento de crise, nós vamos mostrar as potencialidades que Minas oferece e nós estaremos lá na Bolsa de Nova York também batendo o sino, fechando o pregão, já que a Cemig tem sido, do ponto de vista relativo, uma das mais importantes, senão a mais importante ação brasileira naquela bolsa.

Entrevista do governador Aécio Neves


Lançamento da “Energia do Bem”.
Na verdade, é um evento extraordinário. É uma sinalização clara de com uma empresa pública bem gerida, no caso da Cemig, que avança no mercado, que se valoriza em bolsas, ela vale hoje cinco vezes mais do que valia quando assumimos o governo, pode ter um papel social dessa dimensão, como teve por exemplo, a construção de Irapé, que leva energia para o Vale do Jequitinhonha, recentemente premiada com um dos mais importantes prêmios internacionais. E agora faz algo de uma singeleza e de um alcance social extraordinários. Estamos atendendo já no primeiro momento, esse ano ainda cerca de 1400 entidades que cuidam de idosos em Minas Gerais. Levando algo que pode parecer pouco significativo para muitas pessoas, mas para aqueles que vivem e dependem dessas entidades, é extremamente importante. Água quente, economia de energia, aquecimento solar, uma geladeira em boas condições, enfim, estamos fazendo algo que, espero, possa ser universalizado para todas as entidades sociais de Minas Gerais, não apenas de idosos, mas também creches, Apae´s até o final do nosso governo.
A Cemig está investindo ao em torno de R$ 30 milhões neste programa, é um programa, vamos chamar experimental, mas já extremamente vitorioso porque até o final do ano todas essas entidades de idosos terão um pouco mais de conforto para tratar desses mineiros, sempre colocados muito à margem do Estado.

O presidente Lula já sinalizou a vontade dele de que o ministro Hélio Costa seja o vice da ministra Dilma. O PMDB tem conversado com o presidente Lula e colocado várias questões. Parece que neste momento o PT conversa mais com o PMDB e o PSDB está mais nos bastidores. Como está essa relação?
Ao contrário. Essa é uma questão interna que o PT tem que resolver. Eu tenho um respeito enorme pelo ministro Hélio Costa, é meu amigo, o que eu posso dizer é que o PSDB de Minas já iniciou também conversas com o PMDB. Eu próprio recebi na última semana o presidente regional do PMDB, deputado Fernando Diniz. Outras conversas entre dirigentes partidários acorrerão. Agora estamos vivendo o momento das especulações. Vocês vão ver notícias como essas permanentemente soltas nos jornais.
O que eu quero entender, no campo do PSDB, é que nós devemos, além de avançar na construção do nosso programa, das bandeiras que vão conduzir o PSDB na próxima eleição, temos que ter as nossas conversas com os nossos aliados.
Em Minas, temos conversado com aqueles partidos que estão na nossa base de sustentação, mas iniciamos conversas importantes também com o PMDB. O tempo é que vai tomar essas decisões. Eu, pessoalmente, não acredito em nenhuma decisão formal em termos de composição de chapa antes do final deste ano, seja de um lado, seja de outro.

As prévias vão vingar mesmo?
Espero que sim. Estamos num processo que eu defendi anteriormente que é o das viagens pelo país. Vamos discutir agora nesta semana as questões da agricultura e do agronegócio, depois em seguida vamos ao Ceará discutir programas de desenvolvimento regional, depois vamos discutir segurança pública, gestão pública. Acho que o PSDB cumpre o seu roteiro sem o açodamento que alguns gostariam que nós tivéssemos. Não há porque tomarmos definições há um ano e seis meses ou um ano e quatro meses das eleições.
Esse é o ano, repito, de definir o perfil das candidaturas e, a partir do final do ano, se não houver um entendimento antes, através das prévias, definir aí sim o candidato, mas esse candidato tem que nascer com robustez, solidez, e para isso, é importante que ele nasça já empunhando algumas bandeiras.
Então, acho que estamos no tempo absolutamente correto. Não é possível você condicionar a estratégia de um partido da oposição à estratégia de um partido do governo. São candidaturas distintas. Lá o governo busca construir uma candidatura que ainda não tem lastro eleitoral. No nosso campo, as candidaturas têm já algum espaço eleitoral, já disputaram eleições. Então, a nossa estratégia é outra. O governo vai certamente, na campanha, defender as suas ações e nós temos que defender o que queremos após esse governo.
Acho que cada um terá a sua estratégia e temos que respeitar a estratégia daqueles que estão no governo, mas temos que nos fixar na nossa e, no que depender de mim, eu gostaria de ampliar as alianças que já temos formalizadas hoje para outros partidos que estão na base de sustentação do presidente Lula, mas que não necessariamente estarão apoiando uma candidatura do PT. Não necessariamente.

Então o PSDB não está longe, não está atrás do PT nessas negociações?
Ao contrário. O que eu tenho visto, se analisarmos do ponto de vista regional, se fizermos uma contabilidade, há proximidade natural maior do PMDB com o PSDB em mais estados do que há essa harmonia com o PT. Acho que essa eleição, até por um equívoco da legislação eleitoral, onde não há mais a verticalização, portanto, as alianças são livres nos estados, não precisam ter compatibilidade nos estados com aquilo que é feito a nível nacional, vão prevalecer os interesses regionais e aí eu acho que o PSDB tem boas chances de apresentar alianças, além dos Democratas e do PPS, que é o núcleo da nossa ação de governo, com o PMDB num número muito expressivo de estados.

O que o senhor diz sobre a perda da unidade da Itambé para São Paulo? É mais uma ocorrência de guerra fiscal por causa da cobrança de ICMS?
É mais uma demonstração de que a guerra fiscal não pode prevalecer. Também temos atraído empresas em outros campos recentemente. Até conversava com o governador Serra sobre isso. Ele reclamava de algumas empresas que estavam, de alguma forma, com interesse em vir para Minas Gerais e eu disse: olha, hoje, o que prevalece é olho por olho e dente por dente. Isso não é bom para o país, isso não é racional do ponto de vista tributário porque vai chegar a um ponto em que o poder público vai fazer tantas concessões, como ocorreu com Goiás recentemente, e depois passa a não ter condições de dar a infraestrutura necessária à ampliação e à consolidação desses investimentos. Portanto, era muito importante que respeitássemos as regras estabelecidas no Confaz e buscássemos avançar numa reforma tributária que acabasse com essa perversa guerra fiscal. É um perde e ganha. Hoje até num somatório nós ganhamos mais do que perdemos, mas não é isso que é importante. O importante é termos racionalidade no sistema tributário e os estados, as regiões que não tenham uma capacidade natural de atração de investimentos, para essas sim deve existir o Fundo de Desenvolvimento Regional.

Essa conversa com o prefeito Marcio Lacerda vai definir alguma coisa em termos de Copa do Mundo e também da Antônio Carlos?
Estamos marcando uma visita já na próxima semana à avenida Antônio Carlos, como vocês devem avaliar, depois que o Estado a assumiu, ela avança numa velocidade muito grande. Vamos fazer uma primeira vistoria até para estimular que essa velocidade seja ainda maior daqui por diante.
E vamos falar de outros investimentos. Quero ter uma conversa com ele sobre a questão do Hospital do Barreiro. É um compromisso que eu, pessoalmente, assumi durante a campanha eleitoral e quero honrá-lo. É uma das questões da conversa e obviamente vamos dar uma atualizada a todo processo de renovação do Mineirão.
Portanto, agora que vamos ter o anúncio já no domingo, e eu tenho plena confiança de que Belo Horizonte será anunciada como uma das sedes, temos agora que dar os passos fundamentais para que o processo de renovação do Mineirão avance. E eu estarei publicando um decreto - e essa também é uma das razões da conversa logo na segunda ou no máximo na terça-feira - criando uma comissão que irá coordenar todo processo de revitalização, de recuperação do Mineirão e essa comissão será coordenada pelo vice-governador Antonio Anastasia.

SOS Mata Atlântica.
Na verdade, o SOS Mata Atlântica publicou hoje. Foram publicados esses dados hoje e é preciso que esses dados sejam analisados com a complexidade e amplitude que merecem. Foi publicado em alguns jornais, pelo SOS, que Minas Gerais é o estado que teve a maior participação no desmatamento de mata atlântica. É um fato, mas não foi colocado na mesma matéria, pelo menos nas que vi, que Minas Gerais é o estado que detém a maior participação e o maior percentual de mata atlântica entre todos estados brasileiros. Também não foi registrado o esforço que o governo vem fazendo para diminuir esse desmatamento.
De 95 a 2000 foram 122 mil hectares de mata atlântica desmatados. De 2000 a 2005, já com a participação do nosso governo, esses 122 mil caíram para 43 mil hectares. E de 2005 para cá foram 31 mil hectares. É um problema absolutamente sério, estamos enfrentando tanto com uma fiscalização severa, quanto com projeto de lei que tramita na Assembleia Legislativa e aqui de público, mais uma vez, peço apoio inclusive das oposições para que possamos aprová-lo, porque esse projeto estabelece metas que vão diminuindo com o tempo e até o ano de 2017, a siderurgia, enfim, as empresas que usam o carvão vegetal só poderão utilizar esse insumo em até 5% daquilo que utilizam hoje. Então há um processo em andamento legislativo que precisa ser aprovado, mas há um esforço enorme do governo na redução desse percentual. Quando leio a matéria, pelo menos da forma que saiu hoje, dá impressão que os 27 estados brasileiros têm como Minas tem, um milhão e 200 mil hectares de mata atlântica e tivemos uma perda, nesse últimos 5 anos, de 30 e poucos mil. Não é verdade. Somos o estado que detém a maior área de mata atlântica, ainda preservada, do Brasil e estamos reduzindo vigorosamente em uma velocidade que nenhum outro estado está diminuindo o desmate da mata atlântica.
Há uma pressão da pecuária, há uma pressão do consumo nas siderurgias, principalmente, que é uma atividade econômica importante em Minas Gerais. Mas mesmo com isso, acho que Minas Gerais tem sido absolutamente exemplar. Gostaria apenas de deixar aqui esse esclarecimento. Saltamos de 120 mil, de 95 a 2000, para 42 mil, de 2000 a 2005, e agora estamos em 30 mil e no que depender do nosso esforço e com a aprovação dessa lei encaminhada pelo executivo à Assembleia Legislativa, vamos demonstrar de forma muito clara que é possível compatibilizar crescimento econômico com a preservação ambiental.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Entrevista do governador Aécio Neves, do líder do PR na Câmara, Sandro Mabel e do presidente nacional do PR, Sérgio Tamer

Aécio Neves

Quero dizer em primeiro lugar da minha alegria de estar recebendo aqui hoje a direção e grande parte da bancada do Partido da República. O PR é um aliado desde o primeiro instante do primeiro momento do nosso governo em Minas Gerais, tem nos ajudado a construir esse novo modelo de gestão em Minas Gerais, e vem aqui de forma muito generosa com o seu presidente Sérgio (Tamer), seu líder, Sandro Mabel, seus deputados de vários estados brasileiros, o seu presidente local, o companheiro Clésio, enfim, um gesto de muita generosidade, de reconhecimento a Minas, de reconhecimento ao trabalho conjunto que nós estamos fazendo aqui, e acho que é mais próprio nesse instante, ouvir o presidente do partido, o líder da bancada na Câmara, que podem talvez com mais fidelidade falar da razão da visita.
Mas eu quero dizer que estou extremamente feliz com o gesto de generosidade do Partido da República de estar aqui conversando sobre o futuro. E na verdade, nos estimulando a uma caminhada.

Governador, o senhor podia antes falar com a gente, tem ou não tem acordo?
Na verdade, eu não sabia que eu estava gerando tantas preocupações em tantas pessoas, para uma invencionice dessa. Se há algum acordo, esqueceram de me avisar. Lamento até que o jornalista não tenha tido o cuidado de pelo menos buscar ouvir a outra parte.
Não existe absolutamente nada nessa direção, e vou além: acho que qualquer negociação ou qualquer construção de uma chapa de um só partido, qualquer que seja esse partido, ela não tem eficácia eleitoral e acho que ela tem uma grande dose de presunção. Acho que não faz bem ao PSDB. Não há hipótese de isso ocorrer. O PSDB, no momento em que definir o seu candidato, ele deve buscar aliados e construir com aliados a chapa e o programa de governo. Portanto, isso é uma invencionice; na verdade, uma grande piada.

De onde surgiu isso? É pressão dos tucanos paulistas, governador?
Não sei de quem, mas acho que é desinformação. Se alguém tem algum interesse de plantar isso, essa pessoa é que tem que responder. Eu recebo essa notícia como uma grande piada.

O senhor tem um encontro hoje com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso?
Tenho, ele está vindo fazer uma palestra aqui e vai pernoitar aqui, vai dormir aqui hoje.


Sandro Mabel

Essa visita nossa ao governador Aécio Neves é que no Partido da República, que nós também chamados de PR, “partido de resultados”, nós entendemos que o Brasil não pode ficar numa disputa democrática como vai se ter na Presidência da República, privado de se votar num líder que nem o Aécio, que nós entendemos ser uma pessoa que fez uma gestão importante no Estado.
O nosso presidente em Minas, o Clésio Andrade, foi vice-governador na sua primeira gestão, o ajudou, e a bancada mineira tem sempre comentado o trabalho que é feito em Minas. Nós também conhecemos isso olhando pela imprensa e conhecemos um pouco mais profundamente pelos relatos que a bancada faz. Por isso, o Partido da República, através dos 23 deputados que vieram aqui hoje, da nossa bancada, nosso senador, nosso presidente do partido, e nosso presidente aqui de Minas, nós entendemos que o Aécio, em algum momento, se ele achar importante disputar uma eleição, e achar que no PSDB não existe espaço para isso, nós achamos que a democracia precisa construir esse espaço, e o PR vem exatamente convidá-lo ou deixar as portas abertas, se ele quiser exercer essa democracia, dando oportunidade de os brasileiros conhecê-lo, e também votar nele, o nosso partido está à disposição para que ele possa amanhã vir a ser candidato ou disputar uma eleição pelo nosso partido. Logicamente é uma visão, que eu volto a dizer, de um partido que tem a visão de desenvolvimento, e que é a marca do Aécio também. É um partido que tem uma visão progressista e por isso também a marca do Aécio.
Então nós temos aí essa conjugação, e a bancada mineira dentro do nosso partido tem um peso muito grande. Então, meu governador, tenha a certeza de que o Partido da República está com as portas abertas, à disposição da democracia, para o Brasil poder conhecê-lo melhor e quem sabe o senhor ser o nosso presidente da República.

Então não vai ser por falta de partido que ele não vai ser candidato?
Eu acredito que não, até porque eu penso que não é só o PR que gostaria de tê-lo como candidato. Mas o PR é um partido que também está se colocando a essa disposição, por essa identidade que nós temos de trabalho.


Sérgio Tamer – Presidente nacional do PR

Sobre a reunião.
Estamos aqui com o governador Aécio Neves para dizer que a agenda nacional que ele está construindo é um fato nacional muito positivo na política brasileira e estamos nos integrando a esta agenda, em função da pontuação dos assuntos que estão sendo colocados e que estamos juntos nesta caminhada na construção dessa agenda nacional.

Quais são os pontos principais dessa agenda que o PR quer construir?
Nós entendemos que a modernização social do Brasil é muito importante neste momento e estamos então fazendo essa caminhada em direção ao futuro para que a modernização social do Brasil seja num futuro próximo uma realidade.

Isso significa que entre Aécio e Serra, o PR fica com o Aécio?
Isso significa que estamos construindo essa agenda, nos colocando à disposição do governador Aécio na construção dessa agenda nacional e dizer que esta caminhada é muito importante para a política brasileira.


Aécio Neves

O senhor pode mudar de partido?
Como eu disse inicialmente, é um gesto de muita generosidade, que eu recebo com minha alegria. Tenho muitos amigos no Partido da República, companheiros no Congresso Nacional e acho que é talvez o resultado de uma trajetória, uma trajetória que não se iniciou agora, e vejo muita convergência de pontos de vistas, falamos da refundação da federação, de políticas de desenvolvimento regional, um passo além dos programas de transferência renda. São ideias que percebemos aqui que são também do Partido da República.
É muito mais fácil você construir um projeto com pessoas que pensam as mesmas coisas e que têm as mesmas prioridades. Obviamente, tenho que estar avaliando todas essas colocações, mas é um estímulo muito grande. O que eu posso dizer é que essa visita muito representativa, com mais de vinte parlamentares de vários estados brasileiros, é um grande estímulo.
Continuarei fazendo o que tenho feito, discutindo projetos para o país e vou deixar as invencionices, as plantações para os outros. Eu vou continuar trabalhando como tenho feito até aqui e, no momento certo, vamos tomar a decisão.

O senhor entregou o PPAG para a Assembleia Legislativa com uma projeção de crescimento para o ano que vem de 3,5%. Com o que vocês estão trabalhando?
Tenho expectativa de que vamos, já a partir do segundo semestre, portanto do terceiro trimestre deste ano, iniciar uma recuperação no crescimento. Neste ano, talvez o crescimento não exista, em razão do decréscimo que tivemos na atividade econômica no primeiro trimestre principalmente, mas também impactando no segundo. É uma expectativa que estamos fazendo, com base na retomada de encomendas em determinados setores da economia, como a siderurgia, por exemplo, como o setor automotivo e há claro um pouco de expectativa de recuperação de outros setores. Acho que é um dado razoável e analistas do próprio Banco Central trabalham mais ou menos na mesma direção.

O governo tem um balanço dessa retomada?
Acompanhamos a recuperação da arrecadação quase que diariamente. Tivemos um primeiro trimestre muito ruim, mas já no mês de abril há uma pequena retomada. Estamos voltando a arrecadar próximo ao que arrecadávamos no passado. A nossa expectativa é que em maio e junho já superemos nominalmente aquilo que foi arrecadado no mês passado. Claro que aí tem um pouco de torcida também, mas já há alguns indicativos nesta direção, o setor de combustíveis voltou a crescer um pouco, tinha caído muito, bebida voltou a crescer um pouco. Espero que no segundo semestre possamos ter um crescimento que compense, pelo menos, parte dessas perdas que tivemos no primeiro trimestre que foram muito expressivas, cerca de R$ 750 milhões.